Startup #5: Infraspeak

O papel? Qual papel? Levar as empresas a passar do papel à prática

Com sede na Universidade do Porto, a startup quer reduzir o ruído entre gestores e técnicos, ajudando na manutenção de equipamentos de grandes estruturas empresariais. Para resolver – ou prever – problemas

Imagine o trabalho de um gestor que, num banco com 600 agências espalhadas pelo país consegue, a partir do seu escritório – sem sair do seu posto de trabalho -, ter acesso à evolução dos trabalhos de 10 ou 15 intervenções de manutenção e correção de erros, em tempo real. Agora é possível. A ideia da Infraspeak começou em 2011 como projeto de fim de curso de um dos sócios fundadores, Luís Martins, 27 anos. Na altura, tinha como objetivo resolver alguns problemas de manutenção da própria Faculdade de Engenharia, onde estudava. Nos  três anos seguintes, o produto foi crescendo e evoluindo, muito com a ajuda do feedback dado pela universidade e por outro parceiro, uma empresa de assistência técnica na área do ar condicionado. “No final de 2014 percebemos que havia uma oportunidade de levar o produto para o mercado e começar a olhá–lo como oportunidade de negócio”, conta Felipe Ávila Costa, cofundador da Infraspeak, ao Dinheiro Vivo. Mas antes que a estratégia estivesse criada, a realidade foi mais rápida do que os planos. Pouco a pouco, o projeto foi passando de boca em boca e, com o tempo, tem vindo a ser validado pelos primeiros clientes. “Passar do papel para a prática foi muito natural porque foi sempre o mercado a puxar pelo produto”, esclarece.

Ávila Costa explica que o Infraspeak é um “software de facility management”. E o que significa isso? O cofundador esclarece: “Ajudamos quem tem de gerir grandes infraestruturas, quer sejam hospitais, bancos, redes de lojas, mercados, enfim, todo o tipo de estruturas complexas – com muitos equipamentos. Colocamos indicadores de performance, custos e todos os que façam sentido para quem tem de gerir e apresentar contas de resultados, dentro da área da manutenção.” Assim, de cada vez que um cliente precisa de avaliar ou reparar um equipamento, a startup intervém. O software com o qual a Infraspeak trabalha usa a tecnologia NFC (Near Field Communication), que associa uma tag  de um sensor a determinado equipamento de maneira a que, de cada vez que vai ao local, o técnico tenha um interface móvel – seja um smartphone, um tablet – onde pode visualizar e armazenar todas as informações que precisa sobre o equipamento. “Ficha técnica, histórico de avarias, documentação, manuais e por aí fora”, detalha. Ao mesmo tempo, o técnico terá acesso a tarefas para levar a cabo com esse equipamento, sendo a introdução dos dados feita automaticamente. “Muitas empresas ainda utilizam o papel, os técnicos têm muito trabalho administrativo”, explica. Por outro lado, o software que existe exige excessiva  inserção de dados, critica. “Acreditamos que tanto os técnicos como os gestores de manutenção não têm de perder tempo com burocracias mas sim preocupar-se com uma boa manutenção e eficiência do processo. Com esta solução, tiramos todo esse trabalho burocrático e damos para técnicos e gestores fazerem um melhor trabalho.” Na prática, é o identificador do equipamento que permite coisas como bastar o técnico tocar no equipamento para iniciar a tarefa. O gestor pode ver que o trabalho já foi iniciado e consegue acompanhar todas as intervenções em tempo real. Com cinco clientes até agora, a Infraspeak conta com mais de 60 mil tarefas de manutenção executadas perto de 4500 equipamentos, Os primeiros três anos de desenvolvimento de produto custaram 60 mil euros.