PME #3: Rui Matias

Um produto para comunicar a inovação de todos os dias

Inspirados na cortiça e no azulejo, criaram um produto que é uma montra de inovação. A PME Rui Matias é uma das finalistas do Prémio Inovação NOS

Na fábrica da Rui Matias, em Sever do Vouga, Aveiro, ainda se digere a explosão de popularidade. Quando, há um ano, Alexandre Amorim, 25 anos, entrou para a empresa, a Rui Matias sabia bem qual era o próximo passo: dar a conhecer ao mundo o que a empresa fazia há mais de três décadas. “O Cortilejo surge com o objetivo de comunicar a empresa porque a Rui Matias sempre fez magia mas tinha uma lacuna relativa à comunicação. Surge, não primeiramente enquanto produto mas enquanto teste alicerçado numa estratégia de comunicação. Ou seja, o Cortilejo, como base, tem uma tecnologia, uma forma de trabalhar o MDF com a cortiça, já percecionada por nós há sete anos. Enquanto joia de todo este trabalho, só o vem colocar no mundo”, esclarece Alexandre Amorim, gestor de inovação da empresa.

A Rui Matias nasceu, ainda sem esse nome, em 1982, como uma serralharia. Da necessidade de adaptação ao mercado surgiu a produção de mobiliário e, em 1995, o fundador da empresa decidiu começar a trabalhar noutros produtos, deixando a madeira para segundo plano. “Começámos em misturar os produtos, saindo um pouco do nosso core. Num negócio tão tradicional não é fácil [sair do core business] mas somos aventureiros e sentimo-nos bem assim. Gostamos de inovar, quantas vezes não pensando sequer no lucro. O lucro vem depois”, explica Rui Matias, fundador da empresa.

Foi essa decisão que levou a Rui Matias a trabalhar com materiais como a cortiça, o azulejo e o MDF. E foi esse caminho que, de alguma forma, levou ao reconhecimento da inovação pela Main Design Series, em Londres, no ano passado. “Percebemos que alguma coisa havia a continuar aqui. Não só usar o Cortilejo como ferramenta de comunicação mas, muito além disso, utilizá-lo enquanto produto”, esclarece Alexandre, acrescentando que, à boleia do buzz criado pelo novo produto, foi possível à empresa criar duas novas marcas e repensar a própria empresa. “Com a exposição rápida que tivemos e que não esperávamos, criámos duas marcas, fizemos o rebranding da própria empresa-mãe e estamos preparados para abraçar o mundo com uma marca ajustada a realidades bem diferentes da nossa. A forma como abordávamos o mercado era muito tradicional mas não podíamos ser só bons a fazer. Temos de ser excelentes também a comunicar. Cortilejo vem só dizer ao mundo: nós fizemos isto. Muito além de estarmos a trabalhar em mercados externos estamos a criar necessidades para satisfazer”, diz.