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A Blog Post

20/06/2015
Finalistas Startup #10: Faculta Tempo

O primeiro sistema de saúde privada que não precisa de mensalidade
Projeto português oferece consultas médicas de especialistas a preços fixos numa plataforma com mais de 400 clínicas associadas e cerca de 8000 profissionais espalhados por todo o país. Vencedores do Prémio Inovação NOS conhecidos a 26 de junho

Dizem que criaram o primeiro plano de saúde gratuito em Portugal e é bem possível que seja verdade. Senão veja: a Faculta Tempo permite, pela primeira vez, aceder a serviços de saúde à distância de um clique através de uma rede de prestadores de cuidados ao nível privado, com rapidez, sem que para isso seja necessário ter um cartão ou pagar uma mensalidade. Como? Frederico Baptista, co-fundador do projeto, explica em poucas palavras. “Só paga os serviços que realmente utiliza a valores de convenção“.

A ideia surgiu quando o gestor, de 27 anos, pensou em regressar a Portugal. A viver em Londres por não encontrar trabalho no nosso país, Frederico trabalhou na área turística – em operadores e agências de viagens. Dois anos depois de se mudar para Londres, teve vontade de voltar. O regresso seria possível se tivesse uma ideia que lhe permitisse trabalhar com conta própria, em pleno “pico” da crise. “Pensei no que poderia fazer falta, num bem do qual ninguém se pode descuidar. Cheguei à saúde”, recorda, em entrevista ao Dinheiro Vivo.

Rapidamente, com o sócio Tiago Mendonça, detetou uma lacuna no mercado relacionada com o acesso aos serviços de saúde. “Tinha alguns casos de familiares a aguardar consultas, que tinham dificuldade de acesso a consultas e exames médicos e pensei: porque não criar um modelo diferente daqueles que já existiam e permitir um acesso a cuidados de saúde de qualidade, com rapidez e não sendo necessárias as mensalidades e os cartões a que estamos habituados quando falamos de seguros?”. A ideia foi amadurecendo e ganhando forma: os dois fazedores pensaram imediatamente em apostar numa plataforma online e na melhor forma de tornar esse acesso diferenciado. “Pensámos desde o início na possibilidade de se poderem adquirir os serviços individualmente. A possibilidade de poder aceder a uma consulta de especialidade, neste caso por um valor de 38 euros, sem ser obrigado àquele pagamento de mensalidades”, detalha.

Passar do papel à prática “foi mais simples” do que imaginaram porque “tudo foi acontecendo naturalmente”. Mas nem tudo foi simples. “Ao nível das parcerias, todo o processo de enquadramento de clínicas foi mais complicado porque começámos ainda sem o site ativo. Apresentávamo-nos como um novo serviço de acesso à saúde e sem mensalidades, o que gerava alguma desconfiança inicial”. A fase seguinte, já com o protótipo na mão, foi mais rápida. “Fomos crescendo, não só ao nível de parceiros como do país, porque começámos só em Lisboa. No início só tínhamos consultas médicas, depois passámos a ter exames e hoje já temos cirurgias, abrangendo quase toda a área médica.”

No site da Faculta Tempo basta um registo para selecionar o serviço de especialidade que pretende, entre os mais de 400 parceiros que integram cerca de 8000 profissionais de todo o país. “Basta comprar a consulta. O processo de compra atribui, no final, uma entidade e uma referência para pagamento no multibanco ou no homebanking e as marcações são efetuadas diretamente com as clínicas. O código gerado pode ser usado em qualquer clínica da rede. No dia marcado, necessita apenas de apresentar o código na clínica”, esclarece Frederico Baptista.

Sónia Bugan, gestora da Policlínica do Algueirão e da D”Avenue Clinic, em Lisboa, foi uma das primeiras parceiras da Faculta Tempo. A proposta de associação chegou por email, no final de 2012. “Sou aventureira e pensei que devia ir para a frente, sem medos, porque devemos aproveitar as oportunidades que nos são dadas. É uma boa oportunidade porque oferece consultas com um valor mais baixo, acessíveis, e estando nós em tempo de crise, as pessoas têm mais facilidade em aceitar, ter um valor de uma consulta mais baixa em várias clínicas“, explica, ao Dinheiro Vivo, Sónia, que tem cerca de 30 marcações de consultas mensais, em média, por intermédio da plataforma.

Fundada com um investimento de cerca de 150 mil euros de capitais próprios – poupanças dos fundadores e empréstimos de familiares -, a Faculta Tempo regista 50 mil euros de faturação bruta mensal mas quer alargar a rede de parceiros e de clientes para aumentar a escala e fazer crescer a empresa.