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A Blog Post

23/05/2015
Finalista Grandes Empresas #3: Câmara do Porto

Um GUIA que sabe tudo sobre a cidade e a dá a conhecer a todos

Autarquia criou plataforma colaborativa que agrega, organiza e categoriza informação geográfica e de planeamento da cidade e quer abrir os dados a todos  

Esta conta tem muitos elementos: a três mil funcionários somamos uma estrutura pesada e pouco flexível, um sem-número de documentos e informação… muita informação. A soma foi feita pela equipa de Isabel Martins, diretora do departamento de Planeamento Urbano da Câmara Municipal do Porto, que, face ao resultado, decidiu avançar com novo cálculo. “O panorama da Câmara do Porto é equivalente ao que apresenta a maioria dos municípios: à medida que os serviços vão tendo necessidades, vão instalando este software, criando núcleos praticamente estanques. Estamos perante volumes de informação consideráveis que exigem um investimento muito grande na recolha e na atualização, o que leva a uma dispersão e fragmentação de informação que depois também é de conhecimento.” Há desconhecimento e redundância: Isabel conta que três serviços podem chegar a ter a mesma informação sobre equipamentos sem saber qual deles tem a mais atualizada. Depois há que passar da ideia à prática. “Nos últimos anos temos sido bombardeados com conceitos como inteligência geográfica, smart cities, open data, networking, cidades analíticas que, no fundo, remetem todos para a ideia de que a informação é realmente um ativo estratégico das organizações”, conta Isabel Martins, ao Dinheiro Vivo.

Perante tanto ativo desperdiçado – muitas vezes a informação serve apenas para um departamento e fica armazenada em pastas pessoais sem permitir o acesso a outras divisões a quem também pudesse interessar – e a orçamentos cada vez mais apertados, a Câmara do Porto pensou numa maneira de abrir os dados, quer na componente mais física – rios, relevo, declives – quer nos aspetos da construção, estradas que temos, edifícios, fluxos das pessoas, armazenando toda a informação num sistema de informação geográfica. Começou por dentro.

“Talvez tenhamos aqui uma grande janela para melhorar o desempenho, para darmos alguns passos em frente no sentido de realmente rentabilizar este ativo que é a informação. Para que, face a grandes volumes de informação, possamos extrair elementos verdadeiramente úteis para decidirmos caminhos ou fazer cenários sobre os quais os próprios decisores políticos possam tomar as suas decisões”, analisa Isabel.

Filipe Araújo, vereador da Inovação da autarquia, diz que começar pela câmara exigiu determinação mas integra uma das prioridades do executivo: a inovação. “Não se cria uma cultura de inovação numa estrutura de câmara municipal do dia para a noite, não é algo simples de fazer.”

Criado a partir de uma parceria entre a divisão municipal do Urbanismo e a direção municipal de Sistemas de Informação, a GUIA (a sigla para Gestão Unificada da Informação e Aplicações) é também um projeto de integração – pelo seu carácter colaborativo – e de aproximação – da autarquia aos munícipes. Já em funcionamento a nível interno, o portal tem carregados mais de 600 níveis de informação de cinco divisões. Além das duas áreas fundadoras, a GUIA conta com dados fornecidos pela Direção Municipal de Gestão da Via Pública, pelo departamento municipal de Proteção Civil e pelo sector do Ambiente. No entanto, ainda há muito por fazer. “Digamos que as perspetivas são de que o crescimento seja exponencial”, diz Isabel Martins, acrescentando que, depois de a câmara tornar os dados acessíveis a nível interno, será a vez de os abrir ao exterior, à cidade, lá para o início de 2016.

“O nosso negócio no município é gerir o território. Por isso, toda a informação que possa ser associada a uma localização específica pode ser, em termos tecnológicos, armazenada e servir de referência”, adianta. Mas, e tendo em conta o negócio, quem serão os “clientes” do produto? Isabel não tem dúvidas: em primeiro lugar, membros da comunidade académica e empresas de consultoria. Em segundo plano, os próprios cidadãos. “Por exemplo, a informação disponível pode ser muito útil para alguém que queira mudar de casa, montar um negócio na cidade, entre muitas outras coisas. (…) Trata-se de reforçar uma base de evidência empírica que reforce a qualidade da decisão. ”