A futura geração de displays, sejam televisões, tablets ou telemóveis, “terá um bocadinho de Portugal”, garante Elvira Fortunato, professora Catedrática da Universidade Nova de Lisboa. A inventora do transístor em papel diz que, além dos muitos contactos que tem, está já a desenvolver um projeto com a Samsung e a trabalhar com o Instituto de Telecomunicação da Coreia do Sul. Para isso, reconhece, são necessárias pessoas bem qualificadas. “Só essas fazem com que as coisas avancem”.
Elvira Fortunato, falava na Conferência ‘Inovar‘, que marcou o lançamento do Prémio Inovação NOS, uma parceria entre o Dinheiro Vivo, a TSF e a NOS, e começou por defender que “os portugueses não sabem valorizar o que têm” e que a “investigação básica demora a ter resultados”.
A professora catedrática da Universidade Nova de Lisboa, que inventou o transístor em papel, explica a sua importância: “Descobrimos que a celulose é um componente da eletrónica. Estamos rodeados de embalagens e a tendência mundial é a de substituir embalagens de plástico por papel, incorporando uma série de sensores que permitem ter informações. Há uma miríade de potencialidades”.
Elvira Fortunato desenvolveu uma alternativa aos transístores atuais que são fabricados a partir de silício, com ganhos ao nível ambiental, económicos e de desemprenho, diz. A futura geração de displays “terá um pequeno contributo de Portugal”, garante.
Convidada para intervir no painel de casos de sucesso, a professora catedrática da Universidade Nova de Lisboa, falou na evolução da ciência. “A investigação hoje exige competências de várias áreas. A sociedade pode não entender, mas a investigação é feita muito por objetivos. A ciência em si também evoluiu e tende a ser interdisciplinar”, diz.
Questionada sobre os fundos do novo quadro comunitário de apoio, Elvira Fortunato sublinhou a necessidade de serem devidamente aproveitados. “Tem que haver uma estratégia de aplicação dos fundos. Há que identificar as áreas em que se pretende apostar”, disse.


